quarta-feira, 5 de março de 2008

A.L.I.F.

Já passou muito tempo desde a última postagem. Hoje vim aqui confessar o que antes era inconfessável, e nem a mim mesma eu tinha coragem de afirmar: onde menos eu podia esperar, encontrei uma gostosa paixão.
Alguns anos atrás, quando pela primeira vez desembarcaram aqui em minha cidade um pai e seus dois filhos, foi um dia muito feliz. Eram dois meninos, com olhares curiosos, observando o vaivém das pessoas no aeroporto. Ficaram somente 3 dias, em casa de outros parentes e depois retornaram ao lar. Eu pouco pude vê-los, menos ainda conversar e conhecê-los melhor.
O tempo passou. Um dia o moço mais velho ligou avisando que ia viajar a trabalho (trabalho? - estranhei) a São Paulo, mas que passaria uma semana aqui, e gostaria de ficar hospedado em nossa casa. Não pensamos duas vezes em convidá-lo para ficar aqui, e planejamos vários programas divertidos para ele.
Quando ele chegou, eu não acreditei no que eu vi: Um lindo rapaz, com pêlos no rosto e por todo o corpo, voz macia, e um abraço caloroso e sorriso largo. Fiquei encantada.
Naquele dia fiquei ocupada com várias coisas, ele saiu para resolver assuntos dele. À noite, combinamos de ir a um restaurante que tocava música ao vivo.
Dançamos, bebemos, meu marido ficou bem alto...uma prima que nos acompanhava também. Nós dois, também meio alterados pela bebida, ficamos trocando carícias, ele no banco da frente do carro, eu no de trás. Não eram toques eróticos, nem um pouco. Eram carinhos sinceros, de duas pessoas que se sentiam solitárias naquele momento.
Quando voltamos para casa, cuidei de tudo para ele dormir, depois fui dormir também.
Acordei cedo. Levantei, tomei um banho e saí enrolada na toalha. No entanto, antes de ir para o quarto me vestir, parei no corredor e fiquei admirando aquele rosto em repouso, desejando dar-lhe mais carícias e beijos.
De repente tive a impressão de que ele ia acordar. Finalmente fui me vestir.
Um dia, ele já havia voltado para casa, nos encontramos na internet e começamos a conversar as conversas de sempre, trivialidades, bobaginhas...
Até que o assunto mudou. Ele dizia que queria que eu dissesse tudo a ele, sem ter vergonha de nada. Disse que estava louco de desejo e que não parava de pensar nas carícias que fizemos no carro...
Então eu confessei que senti o mesmo, e que quando ele estava aqui, eu desejava beijá-lo. Foi quando ele disse que havia percebido, no dia em que eu o fiquei observando dormir (danadinho, estava a me observar vestida só com uma toalha também).
Dali por diante o teor das nossas conversas mudou. Trocávamos nossas intimidades, falávamos sem medo de repressão, sem medo de nada mais.
Trocamos vídeos, fotos, cada um mais deliciosamente obsceno que o outro.
E por fim, nos descobrimos loucos de desejo um pelo outro.
Por fim não! Porque a cada gesto de carinho, cuidado e preocupação que ele tinha comigo, fui me apaixonando mais e mais.
Não nos vimos mais, mas ele sabe que está presente nos meus sonhos, nas minhas fantasias. Sabe que eu serei dele tão logo possamos nos encontrar de novo.
Meu amor, essa é a minha homenagem a você, que povoa minha fantasia, atiça minha libido, me faz sentir viva, mulher, feliz.
Te amo...