quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Férias Perfeitas - Ep. 7

Eu estava deitada na rede, ouvindo a música que ganhei, ininterruptamente, tentando aprender a letra. Com os olhos fechados minha imaginação viajava na melodia e às vezes um leve sorriso me brotava dos lábios.
Foi assim que ele me viu, embalada à brisa fresca da tarde que anunciava a chuva. Ele parou ao meu lado, ficou me observando em meu sorriso distante, passou o polegar pela minha boca úmida ao som de "beijar-lhe os lambidos lábios polpudos de mulher...".
Supreendida, abri os olhos, ri um riso largo pela alegria em vê-lo tão cedo, e pulei em seu abraço como uma criança.
Ele perguntou o que eu estava ouvindo com aquela cara de safada. Passei para ele um dos fones e ouvimos juntos toda a música. Contei a história da música. Ele ficou com uma pontinha de ciúmes. Como podia alguém que jamais tinha me visto oferecer uma música que combinasse tanto comigo?
"Esse é um mistério que não tenho a pretensão de resolver, meu amor." Foi a minha resposta, pouco convincente mas absolutamente verdadeira.
Os primeiros pingos da pesada chuva de fim de tarde já começavam a cair. Recolhemos a rede e entramos. 
Enquanto ele tomava um banho, fui preparar um suco para nós. Ele se aproximou, o corpo respingado do chuveiro, apenas uma toalha na cintura. postou-se atrás de mim, que inocentemente lavava a louça, encheu a mão com a minha nádega direita e cantou baixinho no meu ouvido: "...se Mefisto nem Cupido, um pobre diabo, um diabo qualquer distraído que perdeu seu patuá sucumbiria...", mordiscando a minha orelha e beijando meu pescoço. No que eu arrepiei inteira e acendi, como um lança-chamas.
Larguei toda a louça de lado, virei de frente para ele e me deixei sufocar pelo seu beijo.
Ele levantou meu vestido e sua mão passeou por dentro da minha calcinha, enquanto a outra me prendia pela cintura, colada em seu corpo, que apesar do cheirinho do banho já havia enxugado com o calor que lhe exalava dos poros.
Quis puxar a toalha, mas ele, fazendo charme, segurou. Me pegou pela mão, indo para o quarto.
Pegou o violão, sentou na cama e começou a executar as primeiras notas da introdução de Circe Cabaret e a cantar.  Eu sentei no outro extremo da cama para apreciar o show particular e quando ele terminou a última frase: "...vertendo o leite ao vestíbulo ardente do ventre. Impenitente em seu colo adormecer" eu estava com cara de boba apaixonada. Com o indicador fiz para ele sinal de "vem cá". Ele deixou o violão de lado e veio de gatinho pelo colchão até mim. Eu beijei sua boca, ardendo de desejo, dizendo: "me ama como se fosse a última vez".
E ele me amou. Não houve parte do meu corpo que tenha escapado à textura úmida da sua língua, à suavidade das suas mordidas e à firmeza dos seus dedos. Parecia não haver mais ninguém no mundo além de nós, esquecidos das horas, perdidos na doce aventura dos nossos corpos. A noite já tinha caído quando ele me despertou com um beijo e uma carícia nos cabelos.
Olhei bem lá dentro dos seus olhos. Confesso que não sei explicar o que senti naquele momento.
Mas entendi que mesmo que aquele momento fosse o último, seria eterno.

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