segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Casa-nova

Como eu disse, sempre que me sinto carente, alguns rostos me vêm à memória para aplacar a solidão. Essa é a história de como mais um rosto entrou para a galeria.

Era uma tarde chuvosa, como já estava se tornando hábito naquela primavera. Eu não queria ir para casa então pensei em ir ao cinema assistir um filme.

Lá no fundo da sala estava o Daniel, sentado na frente do seu notebook, concentrado. Pensei em convidá-lo para ir comigo, embora acreditasse que seria uma bola fora, já que ele tem namorada, mas, enfim, tentei. Enviei um SMS fazendo o convite e logo em seguida recebi a resposta: OK. Não acreditei, mas dei um largo sorriso enquanto olhei para ele e percebi que ele também sorria para mim. Combinamos de nos encontrar em frente ao hotel onde ele está hospedado. Assim eu fiz. Esperei um pouco, mas ele chegou usando um perfume estonteante que me chamou a atenção. Decidimos pegar um taxi até o cinema. Chegando lá, ficou visível a nossa decepção ao encontrar outros colegas da turma na fila, mas disfarcei e fui lá falar com eles. Compramos os ingressos e fomos jantar até a hora do filme.

Quando chegamos à sala, sentamos lado a lado. Seu corpo emanava um calor aconchegante; me senti tentada a encostar em seu corpo, mas cuidei para que não acontecesse ali, diante dos colegas. Porém nas cenas mais tensas do filme não hesitei em segurar sua perna, e ele, brincando de estar assustado, também segurava meu braço. Após o filme fomos embora. Naquele dia percebi que alguma coisa mudou no relacionamento entre nós. Adquirimos uma certa intimidade e passamos a trocar mensagens e a nos tocar mais vezes, em forma de abraços e beijinhos no rosto (e que rosto lisinho ele tem...). Cultivamos o hábito de caminharmos juntos até a saída e conversar sobre trivialidades. Descobri que gosto de conversar com ele, seja qual for o assunto. E assim, decidi me mudar para mais perto dele.

Assim que consegui a reserva, decidi avisar a ele. Fiquei contente com a alegria que ele demonstrou com a notícia. Uma semana depois eu me mudei. Meu quarto ficava um pouco longe do dele, mas agora podíamos nos falar mais vezes.

Assim eu sugeri um piquenique na beira de um lago que fica próximo dali. Ele achou a idéia boa e fomos ao mercado comprar as guloseimas. Parei em frente a prateleira de vinhos (eu sabia que ele é descendente de italianos, então achei que ele gostaria de bebericar alguma coisa diferente) e fingi que estava escolhendo. Ele se aproximou e perguntou o que eu estava fazendo. Com ar de desentendida, perguntei o que ele achava de levar uma garrafa de vinho para acompanhar o lanche. Ele ficou animado e escolheu um vinho suave de sua preferencia. Compramos o restante e então me prontifiquei a preparar o lanche. Ele levou a garrafa com ele, dizendo que iria colocar no gelo.

Meia hora depois ele me ligou avisando que o vinho estava no ponto e perguntou se podíamos sair. Juntei todos os lanches numa sacola, coloquei uma canga na bolsa e saí.

Ele estava de short e camiseta, mas o perfume era o mesmo que fez meu coração acelerar. Trazia com ele o vinho e copos descartáveis.

Seguimos para um local livre de galhos e insetos, estiquei a canga na grama macia e coloquei a sacola com os sanduíches e frutas em cima.

Ele sentou, sacou o canivete suíço do bolso e abriu a função saca rolhas. Eu me diverti com a engenhosidade e me sentei junto dele. Nos servimos de vinho, brindamos e rimos da situação divertida. Naquela hora somente a lua iluminava o lago. Bebemos os primeiros goles, comemos sanduíches e começamos a beber mais vinho. Confesso que eu já estava ficando alta. Isso faz com que a gente tenha mais coragem do que o normal. Foi aí que lancei a queima roupa: Sabia que você tem um cheiro muito gostoso?

Ele riu e respondeu: Que bom que você gostou.

Então me aproximei dele, e num ato instintivo, meu rosto foi em direção ao seu pescoço, e aspirei novamente seu perfume. Senti o arrepio que percorreu a pele dele, e então, sem mais cerimônia, beijei seu pescoço, indo em direção ao seu rosto que também foi beijado. Com a mão guiei sua boca em direção à minha e nos beijamos. Meu corpo reagiu e me impeliu a ajoelhar à sua frente e me encaixar no seu abraço, que foi se intensificando à medida que o desejo era mais urgente.

Ele afastou a comida da canga e me deitou de costas no chão. Eu arfava de desejo e ele olhou dentro dos meus olhos e disse: Imaginei ter você muitas vezes, mas nunca assim.

Eu puxei sua nuca e disse baixinho: Então deixe a imaginação pra depois e viva agora. E beijei sua boca com paixão. Senti um volume se manifestando sob o short. Imediatamente levei minha mão até lá para tocá-lo. Ele soltou um gemidinho, eu sorri e beijei novamente.

Então ele baixou minha blusa, deixando meus seios à sua disposição. Ele abocanhou um a um beijando, sugando, mordiscando os mamilos, apertando cada um com as mãos como se quisesse roubá-los de mim. Meu corpo estremecia a cada ataque ávido e meu quadril se erguia na tentativa de sentir a força que pulsava dentro do short. E era tamanha.

Ele colocou a mão por dentro do meu short e percebeu que a minha umidade já atravessava o tecido leve da calcinha. Sem pensar mais, afastou a calcinha e enfiou um, depois dois dedos em mim. Então foi minha vez de gemer e pedir mais.
Ele abriu o short e libertou o penis que quase arrebentava a cueca e já estava todo meladinho. Sem que eu tivesse tempo de dizer qualquer coisa ele encaixou a cabeça na entrada do meu túnel e empurrou tudo com habilidade de mestre.
Meu corpo inteiro se contraiu numa onda violenta de prazer. Ele me segurou as mãos contra o chão e continuou investindo seu corpo contra o meu. Eu estava tonta de tanto prazer, parecia que o mundo girava a contrário e os meus sentidos só percebiam o toque, o cheiro e a força que se desenvolvia sobre mim, penetrando meu corpo, invadindo minha alma. Foi quando senti o jato quente preenchendo minha cavidade mais íntima de seu leite.
Ficamos abraçados misturando nosso suor, nossa respiração, até nos acalmar e poder mover um músculo qualquer. No meu rosto havia um sorriso imenso, o coração ainda desacelerando, o cabelo colado no pescoço ensopado de suor. No seu rosto um olhar brilhante. Suor escorria do peito e do pescoço e ele ainda arfava um pouco. Mas mesmo assim me beijou muitas vezes e quando consegui me recuperar do êxtase, o abracei e beijei sua boca com carinho.
-Isso foi maravilhoso- eu disse a ele.
Ele riu e repetiu: Isso foi maravilhoso.
Rimos e, deitados lado a lado, ficamos observando o céu coalhado de estrelas raras de se ver.

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