segunda-feira, 7 de junho de 2010

De volta pra casa

Era um dia especial. Eu sabia que a qualquer momento ele viria, então preparava tudo para quando ele chegasse. Tudo limpo, perfumado. Flores, almofadas, tapete, taças.
O vinho estava gelando, o peixe descongelando.
Mal via a hora em que ele estaria ali, comigo. Nos imaginei fazendo amor no tapete, na cama, na escada, em toda parte. Eu só fazia me imaginar fazendo amor com ele, mas até aquele dia, nada acontecera de concreto.
Temperei o peixe, deixei marinar. Comecei a lavar as folhas da salada.
Ouço um som vindo de fora. Palmas. Ele chegou.
Corri para abrir a porta. Lindo e cheiroso como sempre. Meu coração estava aos pulos, meu corpo estremecia, não sei se de nervoso, ou de desejo. Abri o portão para ele, dei o abraço apertado de sempre, o beijo no rosto de sempre, e como sempre, disse que morri de saudades. Entramos.
Anunciei o cardápio do jantar. Ele riu, danou a falar sobre peixe e vinho, sobre acompanhamentos, deu sugestões. Eu vesti o avental e comecei a preparar a salada. Ele chegou por trás de mim, me abraçou. Cheirou meu cabelo e disse que estava cheiroso. Dei a ele o pescoço. Ele desceu o rosto, deslizando a ponta do nariz pela linha da minha orelha, aspirando.
- Hum, cheirosa...
- Gostou?
- Uhum.
- Então cheira mais.
Ele apertou o corpo contra o meu, e inspirou fundo, me causando arrepios.
- Agora beije onde cheirou.
Ele umedeceu os lábios quentes e pressionou em meu pescoço, inspirando com força. Afastou meu cabelo e chegou à nuca, cheirando e beijando. Derreti.
Virei e alcancei sua boca. Nem pude acreditar que tinha aqueles lábios nos meus, aquela língua na minha, e o sabor da saliva era tão perfeito quanto todo o resto.
O beijo foi mágico... Tive que conter os olhos que ameaçavam transbordar, tamanha felicidade que me invadiu.
Nos enroscamos em braços e pernas, quase dois corpos ocupando o mesmo espaço, contrariando toda física que aprendi.
Num fôlego, perguntei:
- Quando você tem que ir?
- Amanhã.
- Que horas?
- À tarde.
- Não temos muito tempo, né?
- Não.
Naquele segundo decidi que não esperaria mais nada. Tomei-o pela mão e me encaminhei para o meu quarto.
Quando ele ameaçou relutar, calei-o com outro beijo.
- Chega de esperar. Agora você vai saber o quanto eu te quero.
- Calm...- Mais beijo. Tirei sua camisa, acariciei os ombros, beijei o pescoço, ombros, peito.
Ele se entregou. A carne é fraca.
Tirei a blusa, beijei mais, avancei em sua direção até fazê-lo se deitar na cama. Observei por um segundo a linha de pelos que se perdia sob a calça. Resolvi segui-la.
É muito bom vê-lo nu, a pele branquinha... que diria ja foi garoto de praia, surfista. Mas já não havia marca de sol na pele. Não resisti e beijei cada centímetro. Ele observava tenso, atônito. Não esperava que um singelo jantar fosse começar desse jeito. Se jogou para trás num espasmo quando sentiu minha língua lamber a ponta rosada e úmida que gritava de desejo. Tirei o short, a calcinha. Ele segurou minhas nádegas com força, como se quisesse tomá-las de mim. Tocou meu sexo plenamente lubrificado e se espantou: - Nossa!
- Isso merece sua boca. Lambe!
O comando foi imediatamente entendido. E que boca esperta! Sabia como nenhuma onde buscar cada gota de néctar.
Chamei seu nome, entre gemidos, sussurros desconexos, pedi mais.
Ele, já totalmente envolvido, me derrubou de costas no colchão, afastou minhas coxas e mergulhou entre elas. Pensei que fosse me penetrar com o corpo inteiro. Sua boca não parava de se deleitar comigo, eu não parava de me deleitar com sua boca. Tive que implorar: - Venha pra dentro de mim. Preciso de você agora!
Ele sugou meus mamilos, arranhou minha carne, deitou sobre mim e me invadiu numa única e certeira investida. Gememos. O encaixe dos nossos corpos era perfeito. Ele tinha sido feito sob medida para mim. Suguei, torci, ele adorou.
Nossos movimentos pareciam ensaiados e talvez tenham sido em outras vidas, pois nosso ritmo era o mesmo, éramos um só.
Os corpos se uniram celebrando o prazer supremo da união das almas.
Agora, mesmo longe, pra sempre tua.

domingo, 6 de junho de 2010

Esse cheiro

Dá água na boca esse cheiro
de canela, pimenta, ou sei lá o que
envolvente, quente
Esse cheiro que cativa, arrepia, enlouquece
Seu cheiro te traz a mim
as mãos, o tato
a pele, o olfato
o lábio, saliva, doce néctar
me viro abelha para beijar
e desmancho entre teus dedos
a me apertar a carne
embriagada de amor
só com
esse cheiro.