sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Delírios

De olhos fechados sinto a presença. O toque de pétala no meu lábio. Doçura.
A mordida, a vontade que acende.
Reconheço o cheiro. Perfume e suor, assinatura sensorial que me instiga, que me agita.
Mordo o lábio, mais uma vez. Morde-me.
Onde estás que não entre meus braços, entre minhas coxas?
Um roçar de pele, acelero.
Dedos sob os cabelos, os pelos sob os meus dedos. Úmido, suor, desejo.
Sinto a língua: macia, morna, molhada. Desliza pelo contorno do meu sexo. Lambe-me.
Em mim, uma força cresce, amplia-se. Excita-me.
E à medida que acelero, batidas, compassos, suspiros,
Me contorço louca, pronta. Penetra-me.
Contigo dentro do copo, dentro da alma, vibro. Explode-me.
Prazer incontido, alegria ilimitada, alívio, paixão.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Shibari, doce de leite etc

Bebê...
Desde que entrou na minha vida, muita coisa já mudou em mim. Quer dizer, não mudou, já estava lá. Só encontrou uma porta aberta pra sair.

Naquele dia estávamos combinando a data do novo encontro, alguns detalhes. Ele se queixava da preguiça de cuidar da casa.
Eu e meu incorrigível instinto maternal, já tinha pensado nisso. Por essa razão decidi ir um dia antes, para ajudar a arrumar tudo.
Ele sempre demonstrando preocupação, dizia que não queria, até eu deixar escapar que o "serviço" não seria gratuito.
Bebê gostou da idéia, e pediu mais detalhes. A bem verdade eu não tinha pensado em nada muito elaborado, mas a partir daí a imaginação começou a fervilhar.

Imaginei nós dois chegando em casa. Ele fecha a porta e eu logo o abraço por trás, beijando seu pescoço e pedindo sexo rápido e sem preliminares. Mais que depressa, subimos pelas escadas sem descolar as bocas, a carne em urgência, deixando um rastro de roupas, como João e Maria, pelo caminho até os lençóis.
O sexo rápido se estende pela madrugada e dormimos nos braços um do outro, satisfeitos e felizes.

Pela manhã, bem cedo ele desperta. Hora de trabalhar. Faço de conta que durmo, pra ele não chegar atrasado. Espero que ele saia, me levanto, tomo café com pão, escovo os dentes e começo pelo andar de cima a organizar toda a bagunça acumulada.
Depois de limpar tudo, preparo uma comidinha gostosa pra ele almoçar quando chegar, e por fim, tomo um banho gostoso e volto para a cama, descansar e esperar por meu bebê.

Ele chega, fica surpreso por encontrar tudo brilhando. Me chama: --Bebê? Eu não respondo. Deixo que ele suba até o quarto.
Ele entra, eu finjo que desperto. Chamo para que se deite comigo, beijo sua boca e convido pra almoçar.
Mas ele não tem fome de almoço. Passou o dia pensando em voltar para entre minhas coxas. Sua fome é outra. Fome de mulher. E por isso mergulha de boca na entrada entre as minhas pernas, me sugando, me arrancando gemidos profundos e loucos. E não demoro a gozar na sua boca. Caudalosa.

-- Bebê, vamos almoçar agora. Você ainda tem que me pagar, esqueceu? -- digo a ele.
Ele, excitado como uma rocha, tenta resistir, mas por fim obedece.
Visto um robe, ele veste shorts e descemos para almoçar.

Depois de comermos e limparmos tudo, sugiro a ele que tome um banho relaxante e venha para o quarto descansar.
Ele vai. Eu aproveito para providenciar a corda macia de poliéster que ele deixou guardado num canto da área. Pensamentos pervertidos percorrem a mente.

Eu subo com a corda, gelo, água, doce de leite. Acho que não falta nada.
Ele sai do chuveiro enrolado na toalha. As gotinhas de água ainda sobre os ombros, os cabelos úmidos, um sorriso safado.
--Vem cá, bebê. -- Chamo.
Ele vem, me beija, me abraça, eu me afasto. -- Não bebê, chegou a hora do pagamento.
Ele me olha sem entender. Eu pego a corda. -- Me dá as mãos.
Ele mostra os pulsos. Eu pego gentilmente e começo a trançar a corda, fazendo o nó que aprendi na internet e treinei exaustivamente em casa, nos tornozelos.
Prendo seus pulsos. Ele de joelhos me olha. Ajudo-o a se deitar. Pego a faixa de cetim, vendo seus olhos.
-- Bebê, você agora vai relaxar e se entregar pra mim, tá bom? Vou brincar com os seus sentidos, se você não gostar de alguma coisa avise que eu paro imediatamente.
Ele acena com a cabeça, e sorri.
Eu beijo sua boca, primeiro suave, depois com mais vontade, mais desejo.
Minhas mãos deslizam pelo corpo ainda úmido, ele arrepia, a respiração acelera. Seu corpo começa a dar sinais.
Coloco um pouco de óleo nas mãos, aqueço e encosto na pele fria, ele suspira. Massageio seu corpo, sentindo sua pele sob as mãos, seus pelos. Meu coração quer sair pela boca, e essa quer porque quer o gosto desse homem-menino ali, indefeso. Maldade.
Seu corpo é uma tentação. Não resisto, começo a beijar. Pescoço, mamilo, peito, barriga. Ele aquece. Eu saio, fico um segundo sem tocá-lo. Ele pensa que está só. Até que chega o cubo de gelo.
Toco com ele seus lábios. Ele lambe, bebe as gotas de água que escorrem da pedra. Escorrego pelo queixo, pescoço... deixo uma gota cair. Ele estremece de leve.
Ainda com a pedra, desenho o contorno dos mamilos. Estes se arrepiam, eu não resisto, chupo um depois o outro. Durinhos. Doces... pego o sachê de doce de leite, abro a pontinha, cubro a ponta do mamilo com ele. Ele ri. Docinho...
Difícil resistir o desejo de encaixar meu corpo no dele. Estamos os dois prontos, esperando por isso, mas eu não me deixo levar pelo instinto. Com a pedra de gelo na boca, ora dentro, ora fora, desenho arabescos em seu corpo. Ele arrepia. Ele excita. Ele está ereto. Mas minhas mãos ignoram essa parte e desce acariciando as coxas, seus pelos. Minha boca acompanha. Meu cabelo desliza pela pele. Ele está quieto, entregue.

Uma gota surge. Seu gosto, eu quero. -- Quero beber você.
Ele sorri.
Entre suas pernas, coloco seu quadril em minhas coxas. Observo.
-- O que foi? - Ele pergunta. Silêncio.
Primeiro meus cabelos caem sobre a pelve nua. Ele sente meu hálito morno na pele. Silêncio.
Os lábios molhados de saliva encostam na ponta macia e úmida. Seu gosto. Eu gosto.

Lentamente deixo a boca envolver, quente, molhada, molhado. Eu gosto.
As mãos deslizam pelo peito, a boca sobe e desce, sugando, sentindo o gosto, o tato, o cheiro.
O gemido. Olho de soslaio. Lá está a beleza do homem. Meu peito pulsa, acelero.

É como se o tempo acelerasse junto. Movimento, respiração, movimento, batidas, tudo mais rápido. Quero beber você.

E o jato morno enche a boca. Seu gosto. É bom. Agora sou eu que me deleito com o prazer dessa refeição. Silêncio.

O tempo desacelera. A respiração se acalma, o coração também.

Liberto os olhos, liberto as mãos. Recebo um beijo em recompensa.
Beba. Seu gosto na minha boca.